quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu não sei se sei ser sozinho.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esses infernos, esse sorriso e este sorriso.

E é tão bom sentir esse bando de demônios uivando aqui dentro.

Ela vestia uma blusa verde, usava um óculos escuro e tinha a pele lisa que chamava minha pele e o prata do piercing no nariz cintilava e eu me perdia lendo Susan Sontag e ao mesmo tempo tentava descobrir essa incerteza que exalava dela e que me perturbava consideravelmente. No meio de tudo aquilo Susan dizia:
"Fiquei muito comovida com Goethe, embora eu ache que estou muito longe de compreendê-lo". E eu que nunca li Goethe, o que sobraria pra mim? Sobrava, naquele instante crucial, desejo. Só desejava descobrir o gosto de alma perdida.
E por que diabos não sou irracional, inconsequente ou impulsivo nessas horas?
E ela?

Ela estava lá, ali, aqui, não sei muito bem.
Ela simplesmente levantou os óculos e duas esferas negras sugaram todo meu âmago, seu lábio contraíu-se formando algo que podemos chamar de "sonrisa" e, nesse instante, Dante ficaria curioso com todos os infernos que arderam dentro do meu peito ou do estômago, dentro de algum lugar aqui dentro que não consegui definir muito bem e me fez sorrir com esses demônios que berravam insanamente e completamente audíveis.
E hoje guardo:
Esses infernos, esse sorriso e este sorriso.



(...e uma vontade de descobrir o teu gosto desconhecido)

Gosto do gosto de

incerteza,
gosto do gosto dessa acidez cotidiana que escorre pelos cantos da minha boca e que queima meu peito.
Gosto do gosto do pecado dilacerando minha língua e fundindo-se com teu sexo.
Gosto do gosto do nosso gosto.

Assim, sem delongas.
Só gosto
desse gosto
a-m-a-r-g-o
que é respirar.